terça-feira, 16 de agosto de 2016

O nosso Herói ...


Os Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim permitiram um encontro memorável.
O encontro entre o Michael Phelps e o David Vaz.
Para o Phelps nada significou, mas para o David, sim.

Porque o David é grande admirador do Phelps e uma foto juntos era uma autêntica medalha de ouro.
No palco dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio, encontra-se de novo o Phelps na sua luta pelas medalhas.
E já conquistou cinco.
Num outro palco encontra-se o David envolvido numa grande luta.
Uma luta titânica.
Numa cama de hospital o David luta pela vida.
E contra um adversário terrível e traiçoeiro - um cancro cerebral.
Mas o David nunca fraquejou nem desistiu de lutar.
Neste combate não vai haver medalhas, seja qual for o resultado.
Mas o David conquistou já um título - o de Herói.
O nosso Herói.


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

E a política compensou-me com o “título” de ELEITOR Nº.1

Também fui dos que passou pela política de forma activa.
Como membro e secretário da Junta de Freguesia; presidente da Assembleia de Freguesia e vereador municipal.
Fi-lo com o espírito de quem está a prestar um serviço ao seu país ou, como foi o caso, à sua comunidade.
Em espírito de missão.
Aliás, sempre aceitei e entendi que a política é uma actividade nobre, desde que desempenhada com objectivos de isenção, de entrega à causa pública e de defesa do que é de todos.
Mas a experiência não tardou a demonstrar-me que os bem-intencionados não sobrevivem por muito tempo no mundo da política.
Quando em minoria ou isoladamente, como foi o meu caso enquanto vereador, ou abdicamos da nossa consciência e do livre pensamento, ou perdemos o espaço de manobra, com qualquer iniciativa ou proposta a cair quase sempre em saco roto.
Essa, uma consequência quando se recusa, como sempre fiz, em alinhar nos interesses de grupo ou subscrever a defesa de interesses pessoais.
Mas foi na qualidade de vereador que vivi uma experiência deveras agitada mas extraordinariamente enriquecedora, onde a minha posição minoritária se tornou o “fiel da balança”, que no momento próprio se inclinou para a decisão que achei moralmente aceitável e que viria a conduzir à dissolução da primeira câmara no pós-25 de abril.
Tudo ocorreu em 1986 e 1987, depois de formada a câmara do Fundão que resultou das eleições autárquicas de 15-12-1985, com a seguinte composição:
PSD/CDS – 4 vereadores (PSD-2/CDS-2)
PS – 2 vereadores
PRD – 1 vereador
Com a maioria PSD/CDS a dominar, a câmara parecia ter todas as condições para funcionar normalmente.
Mas o “casamento” PSD/CDS depressa começou a ser perturbado por “infidelidades” ocasionais do CDS, cujos elementos se rebelavam, juntando-se ao PS para formar maiorias de conveniência e assim contrariar os cálculos e as votações do PSD.
Como representante do PRD, a minha postura foi sempre a de evitar que me envolvessem nos acontecimentos e dessa forma prejudicar as deliberações que me eram possíveis e que pretendia fossem tomadas a bem dos munícipes e do concelho.
Mas a barafunda acabou por instalar-se.
Houve deliberações de uns tentando declarar perdas de mandato de outros, presidências assumidas por uns dizendo que os outros não tinham legitimidade, convocatória de sessões para deliberações declaradas ilegais pelos outros… até se chegar à intervenção da polícia, chamada por uns para expulsar os outros, etc. etc.
Chegados a esse ponto de indignidades, achei que era tempo de me retirar dali.
Decidi renunciar e todos os da minha lista também assim fizeram.
Consequentemente, a câmara veio a ser dissolvida. Era a primeira do país.
E para mim a grande lição do que não deve acontecer em política.
Antes havia tido a experiência da freguesia, onde vim a ser secretário da junta e presidente da assembleia.
Mas foi enquanto secretário da junta que aconteceu o recenseamento eleitoral, participando eu na comissão que o havia de levar à prática.
E quando se colocava a questão sobre qual o nome para a primeira linha do caderno eleitoral número um, os companheiros sugeriram que deveria ser o meu.
Assim aconteceu.
Tal como já deixei escrito atrás, entendo que a política deve ser tratada com espírito de missão, mesmo quando se aplique o estatuto de profissional.
Segundo Aristóteles “o homem é naturalmente um animal político”.
Só que o “animal político” a que se refere Aristóteles não tem de ser um vampiro que apenas sirva para sugar o sangue da nação, que o mesmo é dizer, a sua riqueza ou o aproveitamento do cargo em seu favor e dos seus correlegionários.
No meu caso, acho que a política até foi generosa comigo.
Compensou-me com o “título” de eleitor nº.1.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Deixar a testada limpa

Recordo de ouvir a meus pais ou a pessoas mais antigas, a expressão: "se cada um varresse a sua testada", o terreiro ou a rua em frente de todas as portas estariam sempre limpas.
Isto também se aplicava a partes de linhas de água, ribeiros ou ribeiras que confinassem com as suas propriedades, em que as margens deveriam ser limpas todos os anos, para evitar que transbordassem com as enchentes de inverno.
Também no aspecto da honestidade e da conduta das pessoas se aplicava o termo "deixar a testada limpa", quando alguém dava por terminada uma função ou um cargo e tinha a preocupação da defesa do seu bom nome, deixando-o sem mácula.
É pena que, nos dias de hoje, esta expressão tenha caído em desuso.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Suiça fabulosa, Alsácia e Floresta Negra

O ter de conciliar período de férias com compromissos profissionais, que envolvem contabilidade, declarações fiscais e liquidação de impostos, levaram-me uma vez mais a subscrever um circuito da Nortravel, neste caso o Suíça fabulosa, Alsácia e Floresta Negra, que aliás já fazia parte dos meus objectivos de viagem.
E conhecendo, como conheço, os serviços Nortravel, tudo fazia prever que a minha 6ª viagem no operador turístico das “viagens com final feliz” havia de corresponder às expectativas que tinha para ela.
E que não saíram goradas.
Desde logo e por razões que nos ultrapassam, a surpresa de sermos um grupo de apenas 12 pessoas, o que veio a ser favorável pela facilidade de movimentação e de controlo do mesmo nas visitas programadas.
Mas se os adjectivos usados em determinadas classificações se mostram fora de contexto, o que foi usado para definir o espaço em que esta viagem se realizou, fez todo o sentido.
De facto, considerá-lo fabuloso não é exagerado, sendo esse exactamente o meu sentir.
O dia Um – Chegados a Zurich, lá tínhamos a competente guia Maria da Graça e o seguro e responsável motorista Osvaldo à nossa espera, verificando-se então o momento do primeiro contacto com o grupo, que havia de tornar-se uma família até final.
Dali, a partida para Colmar (Alsácia), onde nos foi servido o jantar em restaurante local e nos alojámos no Grand Hotel Bristol.
Um elemento não esperado que nos acompanhou em quase todo o tempo do circuito, o calor que nalguns momentos ultrapassou os 40º. e este dia um deu-nos claras indicações quanto a esse aspecto.
 O dia DoisQuando do programa consta que uma qualquer cidade é classificada como património da UNESCO ou da Humanidade, fica-nos desde logo a garantia de que o seu património histórico-monumental e os valores representativos da sua cultura se encontram preservados. E a visita a Colmar confirmou isso mesmo, com a nossa guia Maria da Graça a dar-nos a conhecer os aspectos mais relevantes da sua história, com desenvoltura enciclopédica, ficando-nos na memória a passagem pelos canais e que, por isso mesmo, são chamados de “Pequena Veneza”, de entre muitos outros do seu centro histórico.
Partimos depois para Estrasburgo, sede do Parlamento Europeu e do Conselho da Europa, onde nos foi dado conhecer o centro histórico e a sua famosa catedral, assim como o relógio astronómico e outros pontos de interesse turístico, fazendo-o a pé ou num pequeno comboio ecológico.
Após o almoço, dirigimo-nos para Riquewihr, a pérola medieval alsaciana inserida num espaço onde o vinhedo se destaca pela enorme mancha verde e pelo excelente tratamento que lhe é dedicado. No jantar aí servido houve também oportunidade para saborear a excelência do vinho que ali se produz.
Mas foi também nesta deslocação que nos “cruzámos” com uma réplica reduzida do mais francês dos símbolos americanos – a Estátua da Liberdade, da autoria do engenheiro alsaciano Frédéric Bartholdi, cujo original foi oferecido pelos franceses à América, ainda que associando os maçons a este gesto.
O dia Três – A minha expectativa quanto ao que iria ver na Floresta Negra era grande, mas foi satisfeita em pleno, tanto no que se refere à relação do ser humano com a natureza como em relação à sua capacidade em preservar as tradições e deixar para os vindouros o conhecimento dos modos de vida que lhes permitiram a sustentação noutras épocas e que não devem esgotar-se nas novas tecnologias. Por muito que elas nos facilitem a vida.
Foi por isso fantástica a visita ao Vale de Gutach para apreciar o museu ao ar livre “Schwarzwalder, Freilichtmuseum Vogstbauernhof”, mostrando-nos 6 quintas à volta de um edifício principal com tudo, mas tudo, incluindo animais, do que elas comportam para o desenvolvimento da sua actividade rural. Grande lição e mostra sobre a história desse mundo tradicional ao longo de três séculos.
Após o almoço, outra agradável surpresa, a visita a Freiburg, considerada a mais ecológica cidade alemã e por isso chamada de eco-city, com os seus canais pelas ruas da cidade, onde a memória me fez recuar ao tempo em que a minha terra (o Fundão) era conhecida como a terra onde a água também corria pelas ruas e por ser a terra mais florida da beira. Agora… a saudade.
O dia Quatro – Saída para Berna, a capital da Confederação Helvética, onde despertou particular atenção os portais tombados, que serviam de acesso a abrigos, hoje declarados património pela UNESCO.
Partimos depois na direcção dos Alpes Berneses e Vaudoises, chegando à famosa estância de inverno de Gstaad.
Aqui, após o almoço embarcámos no comboio GoldenPass panorâmico, que nos trouxe por paisagens de verdadeiro deslumbramento através dos Alpes, até Montreux. Só o calor nos incomodou um pouco, até porque o ar condicionado não funcionou em condições. Mas o pessoal foi simpático oferecendo-nos água para compensar.
Após passeio na beira do Lago Leman, fomos a instalar-nos em Villars-Sur-Ollon, outra credenciada estância de inverno, de onde também se desfrutava um fantástico panorama.
O dia Cinco – Genebra foi o objectivo seguinte, também junto ao Lago Leman, com uma visita panorâmica à bonita cidade onde se encontra a sede das Nações Unidas e Cruz Vermelha, de entre muitos outros organismos mundiais.
Dali partimos para Annecy, justificadamente chamada de Veneza dos Alpes Franceses, onde foi o nosso almoço.
Seguiu-se a visita a Chamonix, histórica estância de esqui aos pés do imponente Mont Blanc, que do alto dos seus 4.807 mts. nos exibia as suas persistentes neves. Momentos inesquecíveis.
E de novo Villars-Sur-Ollon nos acolheu no regresso ao hotel.
O dia Seis – Foi o dia em que o Lago de Thun nos acolheu em cruzeiro até Interlaken, enquanto podíamos apreciar o fantástico panorama envolvente.

Aqui foi o nosso almoço, após o qual prosseguimos para Lucerna, nas margens do também designado Lago dos Quatro Cantões, prosseguindo depois para o hotel.
O dia Sete – De novo em Lucerna, foi possível então conhecer mais do belo desta cidade, onde se destaca a Ponte da Capela, Ponte do Moinho, para além de muitos outros onde ficou presa a nossa recordação.
E para o dia terminar em beleza, o jantar de fondue em restaurante típico, ao mesmo tempo que nos era proporcionado um animado espectáculo de folclore tradicional.
O dia Oito – E a viagem estava a chegar ao fim em Zurich, que nos recebera no primeiro dia.
Oportunidade para conhecer melhor a cidade e confraternizar um pouco mais com o grupo que ao longo de uma semana se fez família, registando para a posteridade o retrato que nestas circunstâncias acontece sempre.
E sendo reduzido, mais fácil foi conhecer-nos uns aos outros e estabelecer contactos entre nós.
O João foi a nossa mascote, mas com a irrequietude dos seus quase 10 anos, deixa-nos  um lindo gesto que facilmente se percebe das últimas linhas da peça que nos transmitiu para ensaio, a ser cantada no final com a ajuda da sua avó, dedicado a uma competente guia e a um motorista responsável e seguro:
………………………………………………….
Vai ficar no meu coração
para sempre de recordação
Coro:
Oyé, oyé
Esta viagem chega ao fim,
Já nascem saudades dentro de mim
Vamos seguir novos caminhos e gozar outros destinos
Coro :
Oyé, oyé, Nortravel, Nortravel
Seremos sempre teus viajantes
Embora de forma superficial, fica o relato de uma viagem fantástica, com gente bem disposta e episódios divertidos, sem esquecer o inaudito caso das batatas que nos deixaram de olhos em bico.
Até uma próxima.

domingo, 7 de junho de 2015

O que partilhamos no facebook

Através do facebook tornamo-nos cidadãos do mundo.
Quase diria que passamos a ter a condição da ubiquidade, ou seja, a de estarmos presentes ao mesmo tempo, em todo o lado.
Através do facebook temos a possibilidade de partilhar alegrias, tristezas, estados de alma… tudo.
Imagens de onde estamos, para onde vamos, com quem vamos… tudo. E tudo quer dizer também as de maior intimidade ou recato.
Nossas e dos nossos, mesmo dos que não lhes é dada a possibilidade de uma palavra sobre se as querem ou não divulgar.
Através do facebook deixamos, sem pensar nisso, a localização da nossa casa e a do sítio em que no momento nos encontramos.
A informação que os bandidos precisam para fazer uma visita à casa, sabendo que ali não há ninguém.
Fazendo tudo isto, expomos ao perigo as nossas crianças e expomo-nos também a todos esses perigos.
Porque os predadores estão por todo o lado.
É bom ter uma “janela” de onde podemos gritar, debitar a “nossa sabedoria”, discursar, mesmo que os outros não queiram ouvir-nos ou, simplesmente, ouvir-nos a nós próprios.
Mas é verdade que o saber e o aprender também nos chega de forma simples, mas profunda.
Quando o queremos aproveitar.
O facebook é, pois, o expoente máximo da comunicação.
- Mas não sabendo auto regular-nos, quem regula a exuberância do nosso discurso ou modera a ânsia incontida de tudo dar a saber aos outros e nos alerta para as fragilidades da segurança quanto à informação contida nas nossas partilhas ?

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Chico da Ponte - meu pai

Chico da Ponte
Uma vida sem horizonte
Porque o campo lho tapava
Mas com afinco trabalhava
Essa terra madrasta e dura
Onde o pouco que se apura
Pouco mais dava que o comer
Para sete filhos que lhe coube ter
Mas que na sua grande humildade
Lhes mostrou que a honestidade
Era um valor que na vida
Importava tanto com’a comida
E que sabendo ler e contar
Os campos podia deixar
E doutra forma ganhar o pão
Sem criar calos na mão
Apesar da nobreza que encerra
O ter de trabalhar a terra
E rasgar novo horizonte
Que nos apontou Chico da Ponte
 

 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Sózinho em casa...

Sózinho, mas não em solidão.
Porque não há vazio para mim. Porque não há isolamento.
Apenas estou partilhando os carinhos, os beijinhos, as festinhas  e as delícias gastronómicas, que tinha para mim, com o filhote que tem dói-dói.
E isso ajuda-o a curar-se.
Funcionou: "óh mãe vou requisitar-te ao pai".
OK, mas temporariamente...
Por mim, cá estou sempre acompanhado por todos !
Nunca estou sózinho.
E por que é tal e qual assim, cito António Lobo Antunes:
"Por que é que havia de me sentir sózinho ? Raras vezes na minha vida, desde que me lembro de mim, tive um sentimento de solidão.
E não me sinto mal na minha companhia, divertimo-nos muito os dois,eu e eu.
Não me aborreço".

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

FÉ A 100%



Fé a 100% chega para mudar a história...
É o que se escreve nesta capa do jornal O Jogo.
E vou traze-la para aqui.
Porque a mensagem que encerra baseia-se na Fé. No acreditar.
É certo que a mensagem do jornal tem um âmbito absolutamente diferente do que é o meu, neste momento.
Mas o título há-de valer também para mim.
Que o acreditar, faz milagres.
Eu o digo.
Pela Fé e pelo Fé.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

David e Golias


Numa leitura que fiz sobre Julian Assange e o caso Wikileaks, ele é comparado a David e o Wikileaks comparado à funda que derrotou Golias.
David e Golias são personagens da história longínqua. Sabemo-lo.
Mas personificam, ainda hoje, a luta entre o pequeno e o gigante, a luta entre o fraco e o todo poderoso, mas onde a vitória do mais pequeno se alcança pela força da vontade e da fé.
Em termos emocionais, não será exagero comparar um cancro ao poderoso Golias, face ao pavor que ele incute nas suas vítimas e fazendo com que sejam tomadas pela fragilidade.
Ora, no pequeno escrito que aqui deixo, o David já tem a sua funda:
- A força que a família e os amigos estão a proporcionar-lhe.
Mas olhando o que significa o nome de David, aqui reproduzido na imagem de “Mimos Meus”, essa funda ainda será mais certeira e eficaz.
E ele vai utilizar essa funda de maneira vitoriosa.

domingo, 3 de agosto de 2014

Ser rico... é ter a família que eu tenho.

Assim escrevo em título nesta página e "Acerca de mim" neste blogue... onde acrescento: Felizmente que há muitos outros tão ricos como eu sou !
Mas hoje, confrontado com uma situação que não deixa alternativa quanto à luta que é preciso travar para vencer o inimigo - que o tem sido para tantas e tantas pessoas que o abateram - na forma de doença cancerígena, ainda tenho de adicionar um novo elemento para o título ficar completo: a que se junta outra grande riqueza, que é a amizade e o carinho de tantos e tantos amigos !
Desde 5 de Julho passado, dia em que esse inimigo nos surpreendeu sorrateiramente atacando o filho, que procuramos reequilibrar-nos das sucessivas pancadas que nos tem desferido e que quase nos têm prostrado.
Primeiro a notícia de um aparente acidente de bicicleta na Serra da estrela; depois a sua detecção numa zona da cabeça; logo a seguir a cirurgia de extracção desse inimigo, que nos trouxe a perspectiva animadora de que bastaria esperar pela recuperação desse acto cirúrgico, para que as coisas pudessem ficar por aí.
Mas novo golpe nos atinge:- a comunicação do resultado da sua análise, que afinal nos dizia estarmos perante um caso que não era benigno.
Não há palavras para descrever a angústia de vermos um elemento da família apanhado nas garras desse terrível inimigo.
Pior ainda, quando sentimos que a impotência e a nossa própria fragilidade quase nos retira o discernimento para encontrar as palavras adequadas para atenuar a sua fragilidade, ajudando-o em momento tão delicado.
Sei hoje avaliar o drama a que outras famílias já foram sujeitas, em idênticas circunstâncias.
Mas é num momento como este que a família desempenha um dos papéis mais importantes da sua existência, mantendo-se unida e agindo com amor para a recuperação das forças necessárias para ir à luta.
E essas forças estão reunidas, felizmente.
Mas outra ajuda extraordinária se juntou a essas: a dos amigos que, desde o primeiro momento, nos têm transmitido a força que eleva a moral e permite um estado de espírito propício para enfrentar e vencer provas com a dureza desta, e a que ninguém é capaz de furtar-se se ela quiser supreender cada um de nós ao longo da vida. 
E aqui se completa o título: Ser rico é ter a família que eu tenho. Felizmente que há muitos outros tão ricos como eu sou. A que se junta outra grande riqueza, que é a amizade e o carinho de tantos e tantos amigos.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Encantos da Croácia, Montenegro, Bósnia Herzegovina e Eslovénia

O meu sonho de viajar mantém-se.
E a sua concretização teve este ano uma nova e fantástica etapa, que contemplou os países balcânicos de Croácia, Montenegro, Bósnia Herzegovina e Eslovénia, visitando Dubrovnik, Kotor, Mostar, Trogir, Split, Parque natural de Plitvice Jezera, Ljubljana, Bled e Zagreb.
Decorreu entre 15 e 22 de Junho de 2014.
Já havia visitado Dubrovnik em 2002, um ano antes de ser acometido de AVC, que julguei ir pôr fim à realização desse sonho. Mas não, felizmente.
E logo que tive condições de saúde, retomei o caminho para alcançar esse objectivo.
Já o deixei escrito noutras circunstâncias: nós somos aquilo que decidimos. Bem ou mal. A tempo, fora de tempo, ou no momento certo. As decisões implicam opções, as opções definem um rumo.
E a vida aproveita-se, quando se opta e se decide.
Até agora fui bem sucedido nas decisões que tomei, porque havia sempre uma motivação.
E conhecer novas gentes, novas culturas, novas realidades e novos horizontes, é sempre uma forte motivação para mim.
Ora, no programa da Nortravel 2014, cuja data de realização me era totalmente favorável, face aos meus compromissos profissionais, encontrei os motivos para subscrever este circuito, sendo a quinta vez que subscrevo os circuitos deste operador turístico.
Calculava que o tema dos conflitos nos Balcãs seria abordado, face ao terreno que seria percorrido, e tendo lido bastante sobre ele, ansiava conhecer pontos de vista diferentes, se bem que falar de guerra seja sempre muito penoso, face aos dramas que outros viveram por causa dela.
Mas o programa também nos dava a saber que as belezas naturais, o património, principalmente o classificado como património mundial pela UNESCO, a gastronomia, as tradições e a história que os envolve, nos seriam dados a conhecer.
Por tudo isso, a minha expectativa em relação ao programa, era muito grande.
E posso dizer que essa expectativa não saiu gorada.
1º.dia - Lisboa / Zagreb / Dubrovnik.
Foi um dia quase todo consumido nas viagens aéreas e instalação no hotel em Dubrovnik, mas não havia mesmo outra alternativa, excepto um pequeno passeio no final do dia, que alguns empreenderam até à beira-mar para desentorpecer as pernas, como foi o meu caso.
2º.dia - Dubrovnik / Montenegro / Dubrovnik
Como referi atrás, já havia visitado Dubrovnik em 2002. Mas uma cidade com as suas características históricas e monumentais, é sempre um encantamento ser revisitada, vindo a acrescer o facto de termos como guia local a Ana, uma figura que nos deu a conhecer a sua terrível experiência da guerra, em seis meses que se viu cercada dentro da cidade e onde não havia comida, água, agasalhos, higiene e os bombardeamentos eram constantes. Porém, foi impressionante constatar que não havia ódio contra os atacantes, as tropas sérvias do Montenegro, que fizeram parte da antiga Yugoslávia, a que todos pertenceram. Se esse ódio existia ou existiu, soube disfarça-lo perante o grupo, mostrando-se até como uma pessoa bem humorada e sem manifestar queixas da vida, apesar de a guerra lhe ter feito perder tudo.
Pelas imagens, que aqui deixo, os que a não conhecem podem formar uma ideia de como é a cidade.
Partimos depois em direcção ao Montenegro, mas de caminho e em restaurante situado na região de Konavle, foi-nos servido um almoço da gastronomia local, que até contemplou vinho e outras iguarias que eram produzidas na região. Muito bom.
E antes de entrar no Montenegro, tivemos de nos submeter às formalidades de fronteira, a que já não estamos habituados na Europa.
Chegámos à cidade medieval de Kotor, classificada de património mundial pela UNESCO, usando a via junto às montanhas encostadas ao mar, cuja configuração geológica se assemelha a um fiorde, sendo estas características únicas no sul da Europa.
A chuva não foi simpática connosco em Kotor, mas ainda assim permitiu uma visita ao centro histórico, uma espreitadela à catedral de São Trifão, Igrejas de S. Lucas e Santa Ana, e ainda apreciar a fortaleza guardiã da cidade, que se estende sobre o monte rochoso de São João (Sveti Ivan). Com pena nossa, muito mais ficou por ver.
Mas embora abreviada, valeu a pena a visita a Kotor.
3º.dia - Dubrovnik / Cruzeiro / Dubrovnik
Este dia ficou marcado pelas ameaças de borrasca do dia anterior, que se concretizaram durante a noite com chuva e um pequeno ciclone, obrigando à alteração do programa, que nos levaria em cruzeiro ao arquipélago das Elaphiti, com almoço a bordo.
Em seu lugar fizemos a visita à pequena ilha de Lokrum, situada a cerca de 700 m do litoral dalmático, frente a Dubrovnik, cidade onde aconteceu o almoço em restaurante local.
E é a lenda, mais que a história, que dá uma importância muito específica a esta pequena ilha, quando refere ter-se encalhado aqui o barco de Ricardo Coração de Leão, no regresso da III Cruzada, em 1192.
A presença dos beneditinos é confirmada pelas ruinas do mosteiro, que o terão deixado em 1798, já sob ocupação napoleónica.
Na época de domínio do império austro-hungaro, no séc.XIX, a ilha foi propriedade do arquiduque Maximiliano Ferdinand de Habsbourg e de sua esposa, que mandou construir uma residência de verão no lugar do antigo mosteiro, do mesmo modo que ali mandou criar um jardim botânico com espécies exóticas importadas da América do Sul e da Austrália.
Mas é em 1959 que toma forma o actual jardim botânico, encontrando-se a ilha classificada como reserva natural desde 1964.
Para a noite deste dia foi proposto, e aceite praticamente por todos os elementos do grupo, um espectáculo do folclore local, muito agradável, do qual se pode fazer uma ideia através do vídeo aqui inserido. Para o ver, basta pressionar no CLIC.
4º.dia - Bósnia Herzegovina
Saída do hotel em direcção a norte, sempre junto ao Adriático, passando pelo fértil vale do rio Neretva, onde é possível ver figueiras, oliveiras, vinhas e campos onde quase tudo se produz.
A passagem da fronteira para a Bósnia Herzegovina constituiu mais um obstáculo, que só foi possível ultrapassar depois de algum tempo, cumpridas que foram as formalidades legais.
E foi em Mostar, a cidade mártir da guerra dos Balcãs, que nos apercebemos verdadeiramente dos sinais da guerra, com edifícios ainda destruídos ou cravados de balas, embora o seu centro histórico tenha sido recuperado com muito rigor pela UNESCO.
Interessante foi a visita à mesquita Mehmed Pacha e à casa Bišćevića, uma residência turca tradicional.
Mas como momento histórico para mim, foi o do registo de imagem com a famosa ponte de Mostar em fundo.
Aqui foi o nosso almoço, com os minaretes das mesquitas no horizente, a lembrar a presença do Império Otomano.
Partimos depois para Trogir, Património da Humanidade, onde houve oportunidade para um périplo pelas suas estreitas ruas, testemunhando a presença de outros povos e civilizações, que aqui deixaram a sua indelével marca.
E ao final do dia, num restaurante local  foi-nos servido o jantar, com ementa integrando um "arroz malandrinho" de camarão pequeno e robalo grelhado, bem ao gosto de todos.
5º.dia - Split
Foi com guia local que se fez a visita ao centro histórico integrado no Palácio de Diocleciano, do séc. III, permitindo conhecer uma verdadeira preciosidade, também declarada Património da Humanidade pela UNESCO.
E a oportunidade de escutar o grupo "Vestibul" surge quando ainda se fazia a visita ao palácio, que ali interpretou uma peça da música "klapa", um canto tradicional croata, já declarado Património Imaterial da UNESCO.
É um cântico religioso original da região da Dalmácia, interpretado à capela, normalmente por grupos de homens, embora nos últimos anos tenham surgido também grupos femininos ou mistos.
O registo vídeo desse momento, aqui fica, através de um simples CLIC.
Mas houve outro momento, que também registei em vídeo, que vale a pena divulgar aqui, também através de um CLIC.
Foi quando, numa bem humorada recreação, o imperador Diocleciano veio até è varanda do Peristilo, acompanhado da sua alvíssima esposa, para ser "venerado pelo seu povo" e este lhe tributar os avé-avé-avé, que inicialmente não foram muito convincentes aos olhos do imperador, mas que logo se tornaram mais efusivos, face à sua sua exigente atitude.
Um agradável momento de boa disposição, que os turistas muito apreciaram.
6º.dia - Parque Natural Plitvice Jezera / Ljubljana
Ansiava chegar a Plitvice Jezera, pelas imagens que tivera oportunidade de ver sobre este parque natural, também declarado património mundial pela UNESCO.
Mas a surpresa começa logo após a instalação no hotel, quando depois do jantar do dia anterior fomos passear por entre o arvoredo onde ele se integra.
O espectáculo maravilhoso de imensos pirilampos a esvoaçar na noite, deixa-nos boquiabertos pela sua beleza e porque em Portugal raros serão os sítios em que tal acontece. Se é que ainda existem. Porque, coisa assim, apenas a recordo de criança na quinta em que nasci.
Os pesticidas, herbicidas, inseticidas e produtos afins, usados até à exaustão, foram-nos privando dessa dádiva da natureza.
Mas se o anoitecer anterior foi surpreendente pela visão maravilhosa dos pirilampos, este dia permitiu-nos circular pelos trilhos expressamente concebidos, apreciando este verdadeiro paraíso, num dia que é para mim como uma verdadeira benção, apreciando a natureza em todo o seu esplendor.
Como defensor da natureza, ficou-me cheio o coração, o que me leva a bendizer a oportunidade desta visita.
Fica o desejo de que a preocupação dos responsáveis em preservar espaços destes, nunca esmoreça, a bem da humanidade.
Já a caminho de Ljubljana foi-nos servido o almoço, que teve semelhanças com o leitão da Bairrada, mas sem aquele tempêro que lhe é próprio, mas que podia chamar-se porco no espeto, acompanhado de outras carnes. Muito bom.
Acompanhados da chuva à chegada a Ljubljana, ainda fizemos a panorâmica a pé, com guia local, pelo centro histórico, sabressaindo a visita à Catedral de S. Nicolau, com as suas famosas portas em bronze e das quais sobressaem imagens em relevo.
Por breves momentos foi possível ouvir o ensaio de um coro junto ao seu monumental órgão de tubos, com uma música que nos convidava a ficar, para escutá-la por mais tempo. Mas tivemos de continuar.
Ao serão ainda pudemos conhecer um pouco mais da cidade, onde a animação feita por jovens em início de férias escolares, se espalhava por todo o lado.
7º.dia - Ljubljana / Bled / Zagreb
Mas foi para mim outra agradável surpresa conhecer a Eslovénia, que desde 2004 faz parte da UE e é independente desde 1991.
Ao longo da sua história foi fazendo parte de impérios, monarquia, reino, repúblicas, até que, finalmente, conquistou a sua independência.
E ser o 3º. país europeu mais florestado, diz bem das suas características.
Antes de deixarmos a capital Ljubljana, ainda foi possível uma visita ao bem abastecido mercado local e constatar a organização e limpeza  da cidade, com evidentes sinais de preocupação ambiental. Partimos depois ao encontro de Bled, o principal destino turístico da Eslovénia, conhecido sobretudo pela beleza do Lago Bled, onde não são permitidos barcos com motores de combustão, no centro do qual se encontra a única ilha natural e na sua margem o mais alto castelo do país.
E no restaurante do castelo nos foi servido o almoço, de qualidade bem ao nível do local em que este teve lugar.
Rumando a Zagreb, a visita panorâmica com guia local, levou-nos a percorrer a "ferradura verde" com edifícios de grande riqueza arquitectónica, seguindo depois para a parte alta da cidade, com a catedral de Santo Estêvão no horizente, começando por visitar o cemitério de Mirogoj, considerado um dos mais belos da europa, cujo projecto do edifício principal é da autoria do arquitecto Hermann Bollé.
Apesar de alguém ter considerado de tétrica a iniciativa, achei que a visita valeu a pena, até porque nos proporcionou a observação de verdadeiras obras de arte. Agora se toda aquela grandiosidade pode ser considerada um absurdo face aos ditames da morte, que a todos reduz à insignificância do pó, já é outra questão.
A construção das arcadas, das cúpulas e da igreja na entrada foi iniciada em 1879 e os trabalhos só foram concluídos em 1929. É hoje uma das grandes atracções turísticas de Zagreb.
De entre os muitos notáveis ali sepultados, encontra-se o 1º. presidente da república, Franjo Tudman.
Prosseguimos depois a visita, despertando-nos a atenção os noivos junto à Igreja de São Marcos, onde diversos figurantes representativos de personagens da história, das tradições, das artes e das letras, vestidos a rigor, também iam deabulando, aceitando as solicitações para ficar connosco nas fotos.
Descemos depois até à parte baixa da cidade, tendo passado por outros edifícios monumentais, bem como pelo Portão de Pedra, um local de devoção religiosa.
Ainda no resto de tarde, como à noite, foi possível constatar a muita animação, com diversos concertos nalgumas ruas da cidade.
8º.dia - Zagreb / Lisboa
E como tudo o que é bom também acaba, lá nos despedimos desta cidade, para rumar a nossas casas.
Sendo esta a quinta viagem que fiz pelos circuitos Nortravel, foram outros tantos os guias que tive oportunidade de conhecer.
Todos profissionais competentes, deles dependendo muito do êxito que as tem caracterizado.
Nas anteriores, a empatia com o grupo terá sido mais fácil e rápida, mas o Ângelo Grilo merece o nosso aplauso.
Aliás, ele e todos os guias têm perfeita noção de que, ao lidar com um leque tão alargado de pessoas, não há lugar a sobrancerias e só a simplicidade, mas determinada, na abordagem e resolução de eventuais questões, permitem o êxito.
Um aplauso merece também o motorista Mario Perić, pela segurança com que nos conduziu ao longo de uma semana.
Finalmente, uma saudação ao grupo, que foi exemplar na pontualidade e, para recordá-lo, aqui fica a foto de família.

terça-feira, 13 de maio de 2014

12 anos depois, aquele abraço ao meu irmão !

Não via o meu irmão há 12 anos.
Muito tempo, a acentuar as debilidades físicas e a torná-las muito visíveis, como pude verificar depois.
E no sábado passado completou 80 anos de idade.
 
Vivendo em França e apesar dos muitos meios que estão à nossa disposição, fui deixando andar e nunca mais tomava a decisão de ir até ele para lhe dar um abraço.
Mas eu tinha de o fazer no dia do seu aniversário. E fiz.
Apenas dando conhecimento da minha intenção aos sobrinhos, fiz questão de que ele a não conhecesse com antecedência.
Apareci na hora em que a família estava reunida para celebrar o acontecimento, tornando-me na surpresa que o irmão jamais esperaria para esse dia.
Foi um momento que me encheu a alma.
E creio que a ele também.
Dos sete irmãos que fomos, cinco ainda estão vivos, sendo ele agora o mais velho dos cinco.
Cheguei a este dia ansiosamente aguardado e posso dizer que são momentos como este que me têm gratificado e dado um sabor muito especial à vida.
Estando perto de Paris, ainda foi possível a visita por um dia à cidade-luz para matar saudades, o que também foi muito gratificante. Até deu para o retrato na ponte onde muitas pessoas resolvem prender os seus amores a cadeado, julgando segurá-los toda a vida. Apetece dizer: ele há casos... !!!